Meus casos de Bovarismo
Começa assim, sem um começo. É sem um começo e sem um final. Na verdade nada existiu pra mim, ou pra você. Tanto faz foda-se. Queria que começasse assim, a garota que se apaixona pela outra e tudo acaba feliz, ou seja acaba como no romantismo, não acaba. Mas outra finge ser tão fiel, que acaba por enganar a primeira, e não é mais romantismo é realismo. A primeira com seu “salto mortal de iniciante” acredita em tudo. Ela nem imagina que tudo ia acabar como no “Madame bovary”, ou no “Primo Basílio” o primo é mais tosco, por que é cópia. E o caso de bovarismo é uma cópia, de tudo que a outra viveu, viveu, se fodeu e acabou por querer descontar na primeira o que sofreu com os casos de bovarismo da otra. A Sofredora, que no caso é a narradora, por um momento pensou em cair na história de Gustave flaubert, como esse filho da puta planejou por dias a fio, mas não foi o suficiente. E nada acabou, nem um sangue, nem uma morte, só a merda, a merda da história que nem vai entrar pra história, que é só mais uma “Estória romantica” como cazuza escreveu. Eu não sou nada, você não é nada, você nem pensa por si só, e estou aqui tomando meu café e arrumando um jeito dessa ferida nunca cicatrizar, é gostoso, adoro a dor, sadomazoquismo crônico.