sit and drink pennyroyal tea
Sinto um vazio muito forte aqui dentro. Como se tudo fosse oco, e só escutam a minha voz gritanto desesperadamente por abrigo, por ajuda. Grito mesmo, jogo tudo pro alto. É foda a sensação de estar chegando a hora deles me pegarem para a escravidão fingindo que se importam comigo. Não quero de jeito nenhum, ser mais uma filha da puta que trabalha que nem um camelo, vive só pra isso, e ninguém nunca sabe quem é, sabe que é apenas um ser trabalhando para comprar. Falemos de solidão. Aquela que bate forte á noite. Aquela que dói, por saber que não tem ninguém pra eu acreditar que é meu. Elas até tentam, mas eu canso. Um dia acho que estou apaixonada, no outro não quero nem olhar pra cara da pessoa. Ah, como é ruim. Um dia me disseram que a felicidade está nas coisas pequenas, que se fodam as coisas pequenas, as grandes e o caralho a quatro. Quero mesmo é gritar, cuspir todos os meus demônios no publico, com uma unica canção. Como todos os meus idolos fizeram. E estranhamente morreram cedo. Uma vez eu li em um livro que só quem pensa na morte são os imaturos. Sou imatura demais. Queria entender qual é o segredo de tudo isso. E só de pensar em tudo, me aperta o peito. Me dá vontade de chorar quando paro pra pensar e vejo que sou cheia de dúvidas. Ás vezes até choro um pouquinho, um choro calado, quase um cochicho, mas dentro de mim é um pranto, um barulho enorme que faz estourar os timpanos. Sempre escrevo assim, sem mais nem menos, sem pensar. Ás vezes erro as palavras, não expresso exatamente o que quero. Mas quem consegue escrever como uma formiga se sente no meio de um abismo sem fim, carregando suas bolas de cristal nas costas. Ora mas que bagagem pesada!